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Surto de sarampo nos Estados Unidos acende alerta para a saúde no Brasil

Surto de sarampo nos Estados Unidos acende alerta para a saúde no Brasil
© Paulo Pinto/Agencia Brasil

Mudanças recentes no calendário vacinal dos Estados Unidos, impulsionadas por discursos antivacinação do governo Donald Trump, ajudam a explicar por que o país está passando pelo pior surto de sarampo em mais de três décadas. Mais de 4,4 mil casos já foram confirmados este ano, com três mortes registradas. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados.

A avaliação do diretor do Programa Nacional de Imunizações do Brasil, Eder Gatti, é que os Estados Unidos passam por um período de retrocessos que ameaça todo o continente. O avanço da doença fora do país eleva a pressão sobre o território brasileiro, que já registrou 61 casos neste ano, a maioria com origem importada.

Impacto do negacionismo e mudanças no calendário

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para todas as crianças. Donald Trump também determinou que a vacina tríplice viral, aplicada desde a década de 1970, seja separada em três imunizantes distintos, administrados em ocasiões diferentes.

De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, as novas recomendações foram motivadas por questões políticas e carecem de base científica, além de serem inviáveis na prática. As vacinas individualizadas contra o sarampo, a caxumba e a rubéola já não são fabricadas há quase 20 anos, gerando desorientação na população.

Eder Gatti reforça que a vacina contra o sarampo funciona como uma barreira de bloqueio. Quem se vacina não contrai nem transmite o vírus, tornando o controle da doença diretamente ligado ao combate aos discursos negacionistas.

Desafios para a manutenção da certificação brasileira

Como não há transmissão sustentada da doença em território nacional desde 2024, o Brasil permanece certificado como área livre do sarampo. No entanto, preservar esse status exige esforço constante das autoridades sanitárias diante do cenário internacional desfavorável.

  • Certificado conquistado em 2016 e perdido em 2019
  • Retomada da cobertura vacinal em 2024
  • Ações rápidas de bloqueio e monitoramento
  • Aplicação de milhões de doses extras em estados como São Paulo e Amazonas

O diretor do PNI lembra que a perda anterior do certificado ocorreu após a reintrodução da doença na região Norte e um grande surto em São Paulo. Em 2023, os índices de vacinação da tríplice viral registraram 88% na primeira dose e 66% na segunda, subindo para 96% e 78% em 2024, respectivamente.

Esforço sanitário e complacência pública

A Organização Panamericana de Saúde aponta que os casos no continente já ultrapassam 56 mil, com pelo menos 80 mortes. Especialistas alertam que a complacência, gerada pela falsa sensação de segurança quando uma doença é controlada, representa um risco expressivo para a saúde pública.

Sempre que há suspeita de sarampo, equipes de vigilância realizam o isolamento do paciente e o bloqueio vacinal na comunidade. O Ministério da Saúde destaca que a cobertura ideal de 95% precisa ser mantida de forma contínua para proteger populações vulneráveis, como crianças e indígenas.

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