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Tribunal Superior Eleitoral estuda silenciar grandes canais políticos no Whatsapp antes da votação

Tribunal Superior Eleitoral estuda silenciar grandes canais políticos no Whatsapp antes da votação
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avalia uma proposta inédita que pode alterar a dinâmica de comunicação digital durante o pleito. Uma minuta de resolução em estudo na Corte prevê que canais de mensagens com teor político e mais de 200 mil seguidores sejam temporariamente desativados nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição, marcado para o próximo domingo (25).

Caso seja aprovada pelo plenário do tribunal, a medida entraria em vigor de imediato, conforme o texto obtido pela Agência Brasil. O debate em torno da regulamentação ganhou tração após reuniões informais realizadas entre os ministros nos dias 16 e 20 de outubro, refletindo a preocupação crescente com o fluxo de informações nas plataformas digitais na reta final das campanhas.

Origem da minuta e regras propostas

O texto em discussão foi redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do tribunal. O gabinete do magistrado esclareceu, por meio de nota oficial, que a autoria decorre da tradição regimental que atribui ao vice-presidente a redação de normas eleitorais, ressaltando que a iniciativa reflete um consenso interno construído entre os integrantes da Corte.

A justificativa central da proposta é a preservação da lisura do processo democrático. Segundo a Corte, o intervalo que antecede e sucede o voto concentra riscos elevados de danos difusos e irreversíveis à formação da vontade do eleitorado, visto que não há tempo hábil para contestações judiciais ou respostas a eventuais conteúdos considerados irregulares.

Os critérios definidos na minuta têm caráter objetivo e impessoal, aplicando-se de maneira uniforme a qualquer canal de cunho político-eleitoral de grande alcance, independentemente da legenda, coligação ou espectro ideológico defendido pelos administradores das páginas.

Impacto sobre grandes perfis

Se validada pelo plenário, a resolução deve atingir diretamente ferramentas de comunicação com forte engajamento popular. Entre os afetados estão o canal “Exército do Lula”, que alcançou a marca de 7 milhões de inscritos, e o canal “Tropa do Flávio”, que conta com 2 milhões de seguidores na plataforma de mensagens instantâneas.

A proposta estende aos grandes canais de transmissão as mesmas restrições aplicadas ao impulsionamento pago de conteúdo na internet. A interpretação jurídica adotada sustenta que páginas com audiências expressivas exercem um potencial de alcance desproporcional, equiparando-se a veículos de mídia de massa durante o período crítico da votação.

Disputas jurídicas recentes

A movimentação no tribunal ocorre após uma série de divergências judiciais envolvendo perfis de grande repercussão. Na semana passada, o canal vinculado a apoiadores do governo foi alvo de decisões cruzadas entre ministros, transitando entre suspensões administrativas e liberações condicionadas ao registro formal na Justiça Eleitoral.

As divergências evidenciaram lacunas regulamentares na fiscalização de aplicativos de mensagens criptografadas, ambiente que tem desempenhado papel central na estratégia digital das principais campanhas nesta temporada. A busca por segurança jurídica motivou a formulação de diretrizes padronizadas para evitar conflitos interpretativos na véspera do pleito.

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