O jornalismo brasileiro perdeu um de seus nomes mais marcantes com a morte do apresentador Ayres Rocha, ocorrida aos 62 anos. O comunicador, que construiu uma trajetória de mais de três décadas na televisão acreana, estava em Rio Branco quando faleceu após uma batalha contra o câncer. A partida do profissional gerou ampla repercussão e comoção entre colegas de profissão, telespectadores e familiares que acompanharam sua dedicação à comunicação.
Reconhecido pelo estilo sereno e pela proximidade com o público, Ayres deixou sua marca na história do telejornalismo regional antes de alcançar projeção nacional ao representar o seu estado em uma das maiores vitrines do país.
Trajetória consolidada na televisão do Acre
A entrada de Ayres Rocha no universo da comunicação aconteceu de forma inesperada em 1989, período em que ele ainda atuava como bancário. Uma oportunidade para substituir temporariamente o apresentador de um programa esportivo na antiga TV Acre abriu as portas para uma carreira duradoura. Anos mais tarde, em 1995, ele assumiu o comando do Jornal do Acre 2ª Edição, telejornal da Rede Amazônica que se tornou sua principal vitrine profissional ao longo de três décadas.
Durante todo esse tempo, o jornalista informou gerações de telespectadores e ganhou o respeito da comunidade local, sendo carinhosamente chamado de professor por colegas de redação. Sua postura acolhedora e o compromisso rigoroso com a apuração dos fatos ajudaram a construir uma relação de extrema confiança com a audiência da região amazônica.
Passagem histórica pelo Jornal Nacional
O reconhecimento pelo trabalho desempenhado na emissora afiliada levou o apresentador a um dos momentos mais importantes de sua carreira em 2019. Naquele ano, a Globo promoveu uma edição comemorativa pelos 50 anos do Jornal Nacional, reunindo jornalistas de diferentes estados para ocupar a bancada principal do telejornal de maior audiência do país.
Ayres representou o Acre ao lado da jornalista baiana Jéssica Senra, em uma iniciativa que celebrou a força e a diversidade do jornalismo regional brasileiro. Para os telespectadores acreanos, ver um rosto conhecido da televisão local no horário nobre nacional representou um marco histórico e um justo reconhecimento à sua trajetória.
Luta contra o câncer e comoção nacional
Nos últimos tempos, o jornalista enfrentava um câncer de próstata e realizava tratamento médico em João Pessoa, na Paraíba. Buscando estar próximo dos entes queridos em seus momentos finais, ele retornou a Rio Branco cerca de um mês antes de seu falecimento, ocorrido em 14 de outubro de 2026.
A confirmação da morte foi comunicada por familiares nas redes sociais e rapidamente repercutiu em portais de notícias de todo o país, como o portal Terra, o g1 e o UOL. Colegas de emissora e entidades representativas da imprensa publicaram notas de pesar, destacando o legado deixado pelo comunicador na defesa de um jornalismo sério, ético e profundamente conectado com a realidade da população.
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