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Especialistas da ONU acusam Meta de parcialidade nas eleições brasileiras

Especialistas da ONU acusam Meta de parcialidade nas eleições brasileiras
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Especialistas das Organizações das Nações Unidas assinaram uma carta em que apontam restrições à liberdade de expressão em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, todas da empresa Meta, nas eleições brasileiras em 2026. Eles disseram que os observadores internacionais que participaram do pleito detectaram tratamento desigual das plataformas em relação aos conteúdos das campanhas, apontando que as contas ligadas a um dos candidatos foram prejudicadas.

Entre os episódios registrados estão interrupções temporárias de contas de campanha e engajamento e alcance de publicações políticas de um dos candidatos severamente menor. Eles também citaram que milhares de contas e perfis de influenciadores, jornalistas e criadores de conteúdo foram suspensos, quase todos do mesmo lado político.

Apontamentos do NetLab sobre o pleito

Uma carta do NetLab também questiona a derrubada de um perfil do candidato Luiz Inácio Lula da Silva sob a alegação de controle contra notícias falsas ligadas a políticas públicas pela Meta, enquanto a empresa mantém perfis com publicações com fake news. O documento também diz que o laboratório identificou falhas da empresa de tecnologia, que teria permitido propaganda eleitoral paga no exterior e veiculada durante o resguardo eleitoral.

O NetLab é um laboratório de pesquisas sobre internet e redes sociais ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro. As críticas reforçam o debate sobre a responsabilidade das big techs na moderação de conteúdos durante períodos de alta sensibilidade democrática e polarização política no país.

Ação no Tribunal Superior Eleitoral

Na semana passada, a campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral depois que usuários do WhatsApp relataram que a inteligência artificial do aplicativo se recusava a produzir imagens com a palavra “Lula” e o número “13”, mas produzia conteúdo normalmente com a palavra “Flávio” e o número “22”. Os advogados da campanha afirmaram que a Meta praticou seletividade algorítmica para beneficiar Flávio Bolsonaro, candidato do PL.

O episódio mobilizou autoridades e gerou cobranças públicas por maior transparência nos algoritmos de recomendação e geração de conteúdo baseados em inteligência artificial. A discussão jurídica coloca em pauta os limites da atuação corporativa em pleitos nacionais.

Posicionamento oficial das empresas

Sobre a nota da ONU, a Meta respondeu que as pessoas podem se expressar livremente em seus aplicativos, sem tratamento preferencial a qualquer posicionamento político. A companhia declarou que incidentes técnicos podem ocorrer em uma plataforma da escala deles, mas que não representam direcionamento político, garantindo cumprimento da legislação eleitoral brasileira.

Em relação à nota do NetLab, a empresa respondeu que não permite conteúdos que explorem programas públicos para fraudar pessoas, removendo-os sempre que identificados. Continue acompanhando o Portal Meio Dia para se manter informado sobre os desdobramentos políticos, análises aprofundadas e as principais notícias do Brasil e do mundo com total credibilidade e rigor jornalístico.

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