A participação de eleitores com mais de 70 anos ganha novo fôlego com iniciativas voltadas para incentivar o voto facultativo no país. Na comunidade rural de Ludovico, situada no município de Lago do Junco, a quebradeira de coco babaçu Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, desempenha um papel ativo para garantir que outras trabalhadoras compareçam às urnas. Percorrendo distâncias consideráveis na região, ela atua para conscientizar vizinhas e familiares sobre a relevância da escolha política, destacando que a presença feminina nos pleitos consolida direitos fundamentais e políticas públicas essenciais.
Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral mostram que o Brasil conta com aproximadamente 16 milhões de cidadãos nessa faixa etária, o que representa 10,6% do eleitorado nacional. Embora o voto seja facultativo para maiores de 70 anos desde a promulgação da Constituição de 1988, esse grupo historicamente registra índices elevados de abstenção. No entanto, o cenário demonstra sinais de mudança com a mobilização de movimentos apartidários que aproximam gerações familiares para facilitar o acesso aos locais de votação.
A mobilização das comunidades e o combate à abstenção
O engajamento de lideranças comunitárias reflete a busca por representatividade em áreas distantes dos grandes centros urbanos. Maria Alaídes estende sua atuação para além da própria localidade, dialogando com moradoras de comunidades vizinhas e enfatizando que a abstenção enfraquece a voz das trabalhadoras. Entre as pautas defendidas por essas eleitoras está a urgência de medidas voltadas para o enfrentamento das mudanças climáticas, fenômeno que afeta diretamente o cotidiano e a subsistência de centenas de milhares de quebradeiras de coco presentes em estados como Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
O esforço conjunto de campanhas como o movimento Voto 70+ surtiu efeito prático logo no primeiro turno do pleito. O índice de abstenção entre eleitores com mais de 70 anos apresentou queda expressiva, passando de 58,8% registrado em 2022 para 49,1%. O avanço representa uma redução de quase 10 pontos percentuais, motivada pelo incentivo familiar e pela criação de redes de apoio logístico para o transporte dos idosos até as seções eleitorais.
Histórias de superação e o exemplo familiar
A decisão de retornar às urnas também envolve superação de barreiras práticas e emocionais. Em Orizona, a aposentada Maria Albino Costa, de 85 anos, optou por não votar no primeiro turno devido à complexidade gerada pela quantidade de cargos em disputa. Contudo, com a simplificação da cédula eletrônica restrita à disputa presidencial no segundo turno, ela confirmou presença com o auxílio da filha e da neta, reforçando o compromisso com a história democrática que acompanhou desde os anos de restrição política no país.
Trajetórias semelhantes ocorrem em diferentes regiões, como em Olinda, onde a professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, decidiu retomar a participação cívica após mais de uma década afastada das urnas. O diálogo intergeracional e o incentivo de netos e filhos têm sido fundamentais para que idosas superem receios e o acirramento do clima político, transformando o ato de votar em um momento de união familiar e exercício de cidadania.
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