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A trajetória e o último desejo de Gilberto Martinho, pioneiro da televisão

A trajetória e o último desejo de Gilberto Martinho, pioneiro da televisão
Foto: Reprodução/ Memória Globo

A história da televisão brasileira guarda os nomes de pioneiros que construíram as bases do entretenimento nacional em estúdios rudimentares e transmissões ao vivo. Entre esses rostos fundamentais, o ator Gilberto Martinho (1927-2001) destacou-se como um dos primeiros e mais marcantes galãs da dramaturgia, transitando com naturalidade entre produções pioneiras e grandes sucessos de audiência nas décadas seguintes.

No entanto, além do legado artístico deixado em emissoras como a Globo e a extinta TV Tupi, os momentos finais da vida do veterano revelam episódios de forte carga emocional e coragem diante de um diagnóstico irreversível. Sua partida, ocorrida em 19 de agosto de 2001, marcou o encerramento de um ciclo importante da era de ouro dos folhetins brasileiros.

Os primeiros passos e a consagração na TV Tupi

Nascido no Sul do país, na região de Araranguá — em área que atualmente pertence ao município de Balneário Arroio do Silva, em Santa Catarina —, o jovem mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar no Teatro do Estudante. Sua trajetória profissional acompanhou de perto o nascimento da própria televisão no Brasil.

Já na década de 50, Gilberto Martinho presenciou a inauguração da TV Tupi. Pouco tempo depois, entre 1957 e 1963, ele alcançou o ápice da popularidade ao interpretar o herói do seriado Falcão Negro, consagrando-se como o primeiro justiceiro da telinha.

A consolidação como galã na Globo

Em 1967, o astro ingressou na Globo, onde sua voz grave e postura firme o tornaram uma figura indispensável em produções de grande porte. Entre seus papéis mais memoráveis estão o imponente Coronel Pedro Barros no fenômeno Irmãos Coragem (1970), além de atuações marcantes em obras como:

  • O Tempo e o Vento (1985);
  • Roda de Fogo (1986).

Esses trabalhos cimentaram sua reputação de versatilidade, permitindo-lhe transitar entre dramas intensos e tramas de época com facilidade.

O diagnóstico devastador e a internação

No ano de 2001, o veterano enfrentou o seu maior desafio fora dos sets de gravação quando os médicos diagnosticaram um câncer de pulmão em estágio avançado. A doença contribuiu para que um quadro pré-existente de enfisema pulmonar se agravasse severamente.

De acordo com registros da época, diante da evolução rápida da enfermidade, o ator foi internado no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Lá, ele permaneceu por três semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O último pedido no hospital

Consciente da gravidade irreversível de seu estado de saúde e sofrendo com fortes crises de falta de ar, o ator tomou uma decisão firme. Ele fez um apelo expresso e formal aos médicos e familiares, solicitando a manutenção de sua sedação profunda e contínua para que pudesse partir sem dores intensas.

O desejo foi prontamente atendido pela equipe médica do hospital, garantindo uma passagem serena ao artista, que faleceu aos 75 anos. A despedida de Gilberto Martinho deixou um legado eterno de profissionalismo e dedicação à arte na memória do público brasileiro.

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