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Comunidade da Maré se organiza para informar eleitores sobre novos locais de votação

Comunidade da Maré se organiza para informar eleitores sobre novos locais de votação
© Rovena Rosa/Agência Brasil

A garantia do direito ao sufrágio e a participação democrática enfrentam novos desafios práticos em grandes aglomerados urbanos. No Complexo da Maré, conjunto de 16 comunidades localizado na zona norte do Rio de Janeiro, moradores e organizações locais intensificaram os esforços para orientar a população sobre alterações recentes nos endereços de votação, buscando minimizar os impactos na abstenção e facilitar o acesso às seções eleitorais.

As modificações promovidas pela Justiça Eleitoral transferiram milhares de eleitores para fora dos limites habituais das comunidades, gerando deslocamentos adicionais e preocupações quanto à acessibilidade para o pleito. A mobilização comunitária surge como resposta direta às barreiras logísticas enfrentadas por quem precisa transitar por grandes vias e buscar novas referências geográficas para exercer a cidadania.

Mudança de endereços e segurança

As alterações nos locais de votação foram determinadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro com o argumento de retirar seções eleitorais de áreas consideradas sensíveis ou de maior vulnerabilidade urbana. A medida buscou posicionar os pontos de votação em zonas externas aos territórios de conflito, aproximando-os de vias de escoamento e de bairros vizinhos sempre que possível.

No entanto, a transferência de dezenas de milhares de eleitores dentro da 161ª Zona Eleitoral alterou rotas tradicionais de deslocamento. Moradores que historicamente votavam a poucos minutos de casa passaram a depender de transporte para alcançar os novos endereços, resultando em filas prolongadas e em jornadas mais longas dedicadas exclusivamente ao ato de votar.

Índices de abstenção e barreiras de acesso

O levantamento de dados eleitorais evidenciou que a abstenção nas seções transferidas da Maré superou a média nacional, refletindo as dificuldades adicionais impostas pelo deslocamento urbano. Especialistas e entidades locais apontam que a necessidade de atravessar grandes vias expressas e de sair do território de vivência afeta de maneira desigual populações vulneráveis, incluindo idosos, jovens e pessoas com mobilidade reduzida.

Embora as autoridades eleitorais tenham destacado a gratuidade do transporte público e a oferta de suporte em determinadas áreas, organizações não governamentais ressaltam que a logística de transporte muitas vezes não atende de forma capilar as especificidades do cotidiano local. A barreira geográfica, portanto, transforma-se em um obstáculo tangível para a efetivação ampla do voto.

Ações comunitárias de orientação

Para combater o desestímulo e garantir que a população compreenda a importância de sua participação política, iniciativas como a campanha conduzida pela Redes da Maré ocupam as ruas e as plataformas digitais. O trabalho consiste em esclarecer dúvidas práticas, divulgar os endereços corretos e lembrar que a ausência no primeiro turno não impede a presença nos pleitos seguintes.

Por meio de panfletagem, conversas diretas e uso de aplicativos de mensagens, voluntários e analistas reforçam que o voto representa um instrumento fundamental de representatividade e transformação social. A atuação busca reverter o distanciamento provocado pelas mudanças logísticas, reafirmando o protagonismo político dos moradores da região.

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